22.8.12

doce;




Escrevo para falar deste sorriso que me espalha pelo ambiente inteiro.
Sabe, sorriso de olhar?
Sorrir por tocar sem mão, beijar sem boca, mentalizar o contato?

Escrevo, pois se não o fizesse, sufocaria.
Internaria tudo.
Não saberias destas coisas, destas cavidades cheias de ti, destas sutilezas que cortinas escondem.

Escrevo para advertir: todos me vêem em você. Teu disfarce é forjado, pouco complexo, sem as tais camas de gato necessárias para guardar os afetos de "outrem".

É afeto desprotegido. Ouvidos surdos, olhos cegos, fissura aparente.

Esconder [me] não te cabe.

Tua casa é de vidro.


*Imagem: Weheartit






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