Entre um espaço e outro, difícil é falar do que ninguém vê: ciúmes, crises, incertezas. Das vontades de ir embora, noites mal dormidas, feridas, dos invernos que não trazem flores, do passo esquecido, cavalo bandido, da carruagem sem rodas.

Difícil é doer de domingo a domingo. Dilacerar-se sorrindo. Contar os diálogos, as madrugadas que não terminam, os copos de vinho, o corpo nos braços dele.

Difícil é caminhar sem apressar o passo, retardar a memória a não vivê-lo. Recolher as intensidades.


*Imagem: Weheartit

Um Comentário

  1. É muito belo o que escreveste.
    O mais difícil do difícil é a necessidade recorrente de escolher entre viver isto ou tentar libertar-se. Como libertar-se parece mais difícil (embora na maioria esmagadora das vezes não seja), engole-se o difícil presente a cada dia. Beijossss

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