28.3.14

dos impublicáveis;



" A carência é mãe de todas as roubadas"
Clara Averbuck


Eu tenho vontade de dizer:

Garota, você não é essa sortuda que pensa. Os gestos dele não mudam, as mulheres sim. Esse roteiro todo, eu conheço. Ligações na madrugada, mensagens infinitas lotando a caixa de entrada do smartphone, bajulação, melação e mais um pouco.

Dos gestos dele, repito, sei todos.

E você aí, se sentindo a mulher mais amada do mundo. 

Esse movimento todo, esse esforço todo, esse ciúme todo, é carência. Na verdade eu sempre soube que se não fosse eu, seria outra. Comigo durou muito, eu admito. Mas eu permiti. Sabia o que sentia, o que queria e quando parar.

De verdade, isso não é e nunca será um conto de fadas. O que eu não entendo é como você, a garota das asas, está vendada, limitada, sabe?

Eu tenho vontade de dizer e não digo. 

Por dentro, ele se recusa a abandonar essa vida pronta. Tem gente que é mais forte mentindo. No fundo, no fundo, é a sua liberdade que o atrai. Ele se apaixona por pássaros, até que os prende...e as asas caem.

Pode levar tempo até que você enxergue.

Não existe mais querer aqui. Mas olhar para você todos os dias, me faz lembrar que ele existe. Que ele existiu.

E eu, eu quero esquecer.


*Imagem: Weheartit

3 comentários

  1. Triste ...
    Mas beatifuly escrito ....

    paz e amor
    1ManView
    http://intrigue-1manview.blogspot.com/

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  2. Há uma sonora verdade nesse texto, doce aviso invejoso-sincero. Alguns colecionam pássaros e, nisto, apenas a liberdade deles é atrativa. Contudo, sei de um conto mágico que diz que os pássaros que resistem, livres, vão aumentando o tamanho da gaiola do caçador, até que ele mesmo caiba nela. Beijossssss

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