Antes, me existia a necessidade desesperada e desesperadora de um papel para registrar tudo. Hoje não. Eu escrevo e escrevo sempre. Até quando não escrevo.  Estou vivendo demasiadamente e não sei de tempo quando vivo. Antes, não entendia e morria quando as canetas estagnavam furando a folha branca. 

Hoje não.

Estou acontecendo enquanto todos dormem, enquanto os que veem cegam, enquanto os que cantam, mudam. Procuro silêncios.
A minha vida está dentro desta vida. E o mundo grande demais, consome. Forte é quem nada na onda turva ou num céu sem cor.

Minha pilha de livros, cresce. Eu leio alguns, algumas folhas. Alguns retornam à estante intocados. Uns me enxergam, outros pensam que o fazem. Vagamente é palavra que não existe pra mim. Minhas pequenas existências me amanhecem. 

Não tomo café. Não vou à padaria.  Tomo goles de tempo, de fé e de inconstância. A frequência é algo que vai e vem. É um laço apertado que não me cabe. 

A constância  é o coração que não pára, que tritura. recicla e reaproveita. Que acomoda anseios em minha Paris imaginária.