E é justamente por aquilo que não podemos comprar, que não podemos controlar que nos degladiamos. Que nos desentendemos. Que nos desencontramos: o silêncio, os afetos, a paz interior, as relações, as emoções, o encanto.  

Quem é que compra tempo? -Ninguém. Quem é que tem tempo nos dias de hoje? -Quem quer. O essencial não fica largado, mal vestido, maltrapilho, mal interpretado, esquecido num canto do celular. Quem é, e o que é vivo, aparece e cresce: num bilhete, num e-mail, num lugar secreto. Quem é secreto, brilha. Quem vive escondido, se desfaz aos poucos.

Ninguém some sem querer. E nenhum querer é desencantado em segundos. Ilusão até certo ponto, meus caros. Reciprocidade é uma cidade com almas. É o movimento com calma. A maturidade precisa disso.
Gasto tempo, porque não posso comprar. Vou de silêncio porque lá, lá é bem longe. A urbanidade cansa.

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