6.5.15

Hold On My Heart;



 Para Aline Alves

Eu sempre quis escrever sobre essa música e sobre quanto ela me remete aquele dia em Campo Grande, ao Luís Cláudio, a rádio Costa Verde, as bancas de jornais da sua madrinha, a paisagem verde por trás das ruas de asfalto.

Eu sempre quis escrever sobre como me lembro como se fosse ontem, do nome que você escrevia no portão e que deve estar lá, ate hoje. Sobre como era competir por sacos de ice kiss, a bala da vez. Sobre como gastávamos tempo [e isso era delicioso], batendo papo no meio fio. Sobre o correio do amor, sobre as festas julinas. Sobre as confusões na hora da merenda escolar. Sobre o Nilo, Maria Célia, Maria Moreira, sobre as pessoas que nos construíram naquele momento.

Minha memória funciona a todo vapor. E eu agradeço.

Eu sempre quis me transportar pra lá pra poder contar aqui como éramos felizes sem celulares, internet e email. Pele e coração. Existíamos de fato. 

Festas americanas. Noites na praça. Rosário. Equiperalta. Bolo da dona Beth. Gisele e seus New Kids On The Block. Os meninos do vôlei. Caderno de perguntas. E respostas que nem conto. Feira da comunidade.
Trabalho de geografia na casa da Amélia. Good Times 98. Cybercops. Angélica e seu "Vou de Táxi". Saias de quatro pregas, Daniel. Wagner. Eric. Todos apaixonados por você.

Eu sempre quis escrever sobre como a amizade ´pode ser um elo entre dois mundos, sobre como nossas confissões funcionam como um divã até hoje. Sobre como nos modificamos e permanecemos uma na outra, com filhos,  marido, com a tralha toda acoplada. 

Sobre como amizade é ser e não ter. Sobre como você ainda "diva" e eu "escrevo". É bem assim:o tempo não interfere, não transfere. 

Há uma circunferência dilatada, minha amiga.

*Imagem: Weheartit



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