19.6.15

outros outonos;


Aquela música, as urgências, a chuva, o tempo, o vento, os bilhetes em papéis coloridos. Me lembro de você. Me lembro bem. Aquela música, teu carro parado, vidros embaçados em noites de sexta- feira. Aquele outono inteiro com teu perfume em minhas roupas, o sorriso que eu não comprei, o  amor que não paguei, os ossos estremecidos de tua presença.

Aquele tempo, os cômodos vazios agora. Você entende? Não fomos embora. Essa lembrança. Faço o uso que eu quiser. O bom moça, a boa menina. Vozes encharcadas de sereno. O ápice, o êxtase, a calmaria que  o rio levou, a quentura na face, a mão que leva à outra mão. 

As verdades destemidas, despidas, o corpo escancarado de sentir. As vitrolas que sonhamos, o som que nomeamos, a multidão invisível de demônios no cérebro, as escolhas por ficar, as consequências por partir.

Estamos aqui. Eu bem sei.





*Imagem: Pinterest

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