16.10.15

você, que me continua.



Maquiei as olheiras, caprichei no rímel, mas... Você  não é aquele que me conhece despida da maquiagem, da formalidade e das calças justas?

Perdão. Há quanto tempo não te encontro? Que não sei da sua chuva, dos seus aniversários, dos teus escapulários telefônicos, das tuas manhas conhecidas e desmedidas. Desencontrei de teus olhares a muitas luas.

Ninguém terminou nada. Aí você com outra pessoa e eu também. Nós dois não nos desfizemos das bagagens. A gente deixou uma linha em branco, é isso? Que poderia ser um encontro, um reencontro, um sorvete, uma conversa. Não sabemos. Eu não sei.  Vez em quando você me liga, me acha. Teoricamente, eu não correspondo.

Teoricamente.

Mas confesso, eu te encontro sempre à noite, antes do sono, do sonho, das luzes apagadas, das minhas meias verdades encontrarem um sentido pra nós dois.

É estranho porque não terminou. A conexão, a porta aberta, o laço vermelho na minha cintura, dez de janeiro, Adele, bilhetes em papéis coloridos.
Devo crer que você me continua. Ainda que um possível reencontro esteja instalado no nada, no nunca, na outra vida. Certas continuações se permitem sem contar com as permissões corporais. Talvez seja este o nosso caso.

Os mais românticos diriam uma lembrança, uma marca, uma memória, uma história para lembrar. Eu não sou romântica. Você não é de terminar. E tudo permanece porque nossos olhos não deixaram de se conhecer.



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