Não acredite no amor procurado, encomendado, arranjado. Não acredite em encontros programados. Os melhores afetos te encontram sem hora marcada. Não acredite nestes amores de tarôs, búzios, neste amor de cartazes.

As melhores histórias nascem dos esbarros.

Quem procura, até acha. Mas não desfruta da beleza dos que se descobrem juntos e aos poucos.
Eu te diria: siga seu caminho, cuide de sua alma, continue a academia, o curso de inglês, a jornada de trabalho, o happy hour com os amigos e deixe o amor pra lá. Deixe-o repousar. Ele te chegará baixinho, black tie, elegante e com rosas nas mãos. Ele amará você e a liberdade estampada em teu peito e sorriso.

Ninguém vive de amor.  Temos outras coisas em pauta: cuidar do nosso próprio jardim, regar os diálogos, descumprir as ausências com amigos, família.

Afeto é consequência.

Perdoe-me se insisto. Estou cansada dessas mulheres retalhadas que só são capazes de se enxergarem em outro, noutros. Abrem mão dos espelhos da casa e do quarto. Escrevem frases de efeito na porta do guarda-vestidos, mas não tatuam essa verdade no próprio coração. Já fui essa mulher de paixões. E dos muitos extremos que a acompanham. Sei exatamente como é essa coisa de se sentir dilacerando para acreditar que está viva.  Sobrevivi a tudo e não sou mais das paixões. Corpo e coração não aguentam. 

Existe uma delicadeza infinita nas pequenas nostalgias, na calmaria do mar e no barco à vela.
Cansei de ser lancha a motor. Desacelerei o caminhar. E olha, ando colhendo flores por aqui.