4.2.16

para todos os amores errados;


Para: Cíntia Monteiro

Para todos os amores errados da minha vida, mudei de endereço. Não moro mais neste corpo, nesta rua, nesses vestidos, neste apartamento. Mudei tudo. Mudei de tudo.  Troquei de carro, de academia, de filosofia, de religião. Mudei o mar, azul. Mudei o céu, de poucas nuvens.

Cansei de não mudar histórias.

Eu não me culpo. Nunca quis mudar meus homens, nem exterminar meus medos (eles estimulam os saltos). Eu só queria uma troca justa: corpo com corpo, olho com olho. É querer demais? É absurdo?
Para os amores errados, tenho outro nome. Mudei o registro, as evidências, os meus rastros. Disfarcei o perfume e pus fogo nos lençóis antigos. Desta vez, não me encontram mais.

Quero me impregnar de coisas que nunca fiz: novos livros, cinema mudo, diálogos despretensiosos com amigos pensantes. Conhecer o Mirante do Leblon, Viajar pessoas e tirar essa cultura do bolso. Usar o meu passaporte mais vezes.

Para todos os amores errados, esqueci minhas mãos, meus pés, minha pele, todos os copos, bebidas, saídas, escapes, desculpas, massacres, crises. Não empresto mais meu espírito à carne alguma.
Vou ser só até que eu me encontre. Antes comigo. Antes com meu coração. Descobrir todos os “vãos”, que beiram minha doçura. É de mim que preciso agora.

Para todos os amores errados, meu olhar de desprezo, não por superioridade, caridade ou maldade, mas por uma reconstrução necessária.

Para todos os amores errados, a porta fechada.


*Imagem: Théo Gosselin



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