14.2.16

Portão ou Confessionário?



Para Giselle Brito.

Na verdade nunca soubemos. Eu me lembro da tua vida corrida, colégio, curso de inglês. Da sua loucura pelos Backstreet  Boys. As músicas do Legião Urbana na cabeça e no lema. Da sua calça jeans surrada. Das nossas idas ao MC Donalds da Presidente Kennedy nas noites de sábado. Dos nossos planos de morarmos sozinhas e conhecer o mundo.

Nunca falamos em casamento, lembra? Achávamos-nos modernas demais para ceder. Apesar do cristianismo forte em nossas vidas, mantemos o bom senso.  Sonhávamos AP na Zona Sul, noites na orla e histórias reais pra contar.

Eu já escrevia e você já exalava inteligência.

Não tínhamos vida profissional, nem contas para pagar ainda. Vivíamos o desassossego dos pais.
O tempo passou rápido demais. Você, Relações Internacionais, Estácio, Presidente Vargas, Tereza, Isabela, Milena, Murilo, a vida se expandindo e seu mundo também. Acomodar as mudanças é uma luta e tanto. Eu, letras, Feuduc, aulas para o pré-escolar, trabalho possível para sustentar. Não sei precisar onde nos perdemos.

Eu só me lembro dos encontros se tornarem escassos, portões vazios, vozes distantes. Celulares ainda longe de nossas mãos.  Caberia um mundo de palavras aqui. Faz um tempo já, reencontramos. Reconsideramos as ausências. Atualizamos parcialmente, as confissões. São muitas ainda. Vir à tona depois de tanto tempo, guardadas uma na outra, exige paciência.

Sabemos que nada se perdeu.

Os portões mudaram, as calçadas também. Podemos sentar lá. Nossos pés não tocam mais o chão. As outras crianças cresceram. Casamos, né?  Mas somos livres com eles. É o que importa.

O encontro ainda espera.  A vida, corrida desespera o tempo.
O amor transborda. A amizade continua.
Giselle com dois “eles”, eu prometo não esquecer amiga.








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