Para Guilherme de Paula

Teus trinta e dois e meu trinta e seis sempre combinaram. Não à primeira vista. Não como um primeiro amor. De verdade é que descobrimos juntos o “Construir”. Eu era só uma menina saindo dos vinte e tantos, que não usava havaianas e nem minissaias. E você, um garoto administrativo que ouvia MP4 à caminho do trabalho.

Teus trinta e dois ainda nem eram trinta e dois, e me caíram bem quando ainda, sem tocar, fomos ao primeiro restaurante e depois ao Arpoador e depois aos jogos do Vasco nas arquibancadas brancas, quando descobri mais de mil músicas no seu computador, quando conheci o rock, o roqueiro, quando entendi que as diferenças também somam. Quando almoçamos japonês a primeira vez e você me apresentou o brócolis, o yakisoba, as barcas Rio- Niterói.

Teus trinta e dois eram  vinte e seis quando dezembro nos chegou vestindo noiva e noivo. E fechamos aquele domingo com chuva.

Tantos antes dos trinta e dois, né amor?

Tanta coisa que não caberia nem em cômodos sem  bordas. Agregamos amigos, mudamos de casa, abraçamos viagens, descobrimos cores novas. Penedo, trilhas, festivais pra contar.

Teus trinta e dois eram trinta e um quando Lennon chegou. Expandimos-nos,  viramos três faz tempo. Tanta coisa muda, tanta coisa amadurece. Mas nada esmorece quando mudar de idade vai além dos balões coloridos.

A propósito, já é teu aniversário agora. O dia anterior foi intenso e a chegada de um filho tem mudado nossa rotina. Os dias iluminados e bagunçados também são cansativos. Nada digno de reclamação, já que ele nos traz um mar imenso nas mãozinhas.


Eu te amo agora, aniversário, como em todos os desaniversários  também. Bolo de chocolate, balões coloridos, papéis em retângulo. Os melhores presentes não têm cifrões.