Ah, eu não sou louca só porque entrei nessa história sabendo que ela teria começo, meio e fim. Nunca saberei se se trata de maturidade, racionalidade ou sei lá o quê. Só não vim pra ficar. Mas vim.  Pro teus braços, pros teus olhares, para tuas vontades enormes e tortas, pra tua doçura na minha mão e na minha linha telefônica.

Vim e vim inteira.

Fui até aonde não poderia: te dei meu coração, minha emoção, minha reputação e meus jeans apertados. Minhas horas de almoço, meus fones do celular e todo o sol do verão. Paixão por prazo determinado, já ouviu falar?

Era muito mais “alterego” pra mim. Sei [e senti] que você se apaixonou, é que teus olhos me diziam isto todos os dias. E você me trouxe presentes, os mais raros, bombons de cerejas, declarações inesperadas, tinha como não me impregnar, garoto?

Não tinha.

Eu não quero ser muito explicita pra não entregar nossa intimidade, mas éramos sim pele e provocação que jamais couberam nas linhas, nas “santinhas” e nos “puros”. Enquanto fomos, fomos. Deixamos de estar, não de nos rabiscar no pensamento um do outro. Eu ainda sei de você. Você tem a minha marca, o meu cheiro, uma visão nua inteira na tua mente. Você me liga as tantas da manhã pra dizer que quer me ver, que quer me ter de novo.

Eu não quero reviver nada. Não há nada para ser remexido a não ser os resíduos que simbolicamente, encharcam meus textos pela madrugada. Você inexiste fisicamente. Mas, ainda existe por aqui. Não te satisfaz saber que ao menos, ainda escrevo sobre você?

Nunca falamos em partida programada, mas sabíamos que ela chegaria. Sem formalidade, sem agressividade, sem o choro habitual dos que se desamam hoje em dia.

Teve dor. Teve dor sim. Me orgulho dela.

Somos um tipo de beleza que não pode ser “quebrada”.



*Imagem: Théo Gosselin