Dionísio, o grande.

24.4.16


Eu me lembro de você às sextas feiras, comendo pizza, nugetts ou torta de sardinha. Do seu sorriso Colgate, das sessões Beatles aos domingos no sofá da nossa antiga casa. Eu me lembro do seu inglês perfeito e de como ria do meu, uma catástrofe até hoje. Eu me lembro das suas tiradas espetaculares de história, teologia, conhecimentos gerais. Os homens mais inteligentes do mundo não vieram de um diploma. E você, era a prova disso.

Eu me lembro da sua adaptação à modernidade, avante e surpreendente.  Da sua leitura do New York Times, Wikipédia, do seu recolhimento às festas, ao barulho, aos sons externos.  Dentro sempre foi mais bonito, não é mesmo?

Eu me lembro das fotos na sua carteira: Guilherme, Gláucia. Das rabanadas no natal, das camisas listradas e dos materiais ortopédicos.

As pessoas continuam, você sabe. Mas tudo era bem melhor com sua presença por aqui.Daniel e Lennon estão aprontando todas.  Lennon tem a sua simpatia, o seu sorriso. É o que todos dizem. Daniel é uma mistura dos pais, gênio da mãe, corpo do pai. Sua descendência está garantida. Você seria um avô feliz com esses netos. Tenho certeza.

Advice for the Young at Heart. Se os Tears For Fears vierem novamente ao Brasil, vou ao Show por nós dois, prometo.

A gente não se despede de vez. Não dá. Estamos nos despedindo desde aquele doze de janeiro. Guilherme ainda dói o mundo e eu, com ele. Desde a sua chegada, ganhei um pai também.

A IASD de Pedras avança. O novo clima de montanha nos remete as suas chegadas, exageradamente suado, sempre avesso ao verão e ao sol devastador. Você ficaria lá por horas.

Não falo de um grão de saudade, mas de uma imensidão de areia e mar, que não cabem aqui. A gente perde um coração quando perde um pai, uma mãe, um filho. Deus nos dá outro. Se eu pudesse explicar eu falaria de um coração adotado, transplantado, dessa sensação dele ter sido arrancado e de não ter encaixado perfeitamente da segunda vez.

Pai não morre.







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