trinta e seis;

29.4.16





Cheguei aos 36, sem pisar na academia. Sem ceder ao silicone, a bunda grande e a vaidade sem causa.  Quer saber? Eu nunca quis me transformar no que não sou. Vaidade necessária sim. Ponho meu rímel, meu corretivo e meu blush, todo santo dia. Já tive filho, já publiquei dois livros, já me formei na faculdade. Já me arrisquei em escritórios de contabilidade e já dei aula.  Hoje, sou RH e vou embora! Viver de escrever, ainda não consigo. Mas vou morrer tentando. Tenho um marido pra contar. E quem tem marido, sabe: não é fácil. Nunca foi fácil se dar ao outro. Diversifiquei a poética: escrevo como mãe e como mulher. Ah, como homem também. Adoro o olhar masculino sobre o feminino. É uma bela composição.  Não sigo mais uma moda específica e parei de combinar as cores de tudo. Tenho algumas velhas amigas: não abro mão delas. Tenho novas amigas que são como as velhas amigas: não desgrudo. Sou mãe e sou “Eu”, sem me anular. Fabrico tempo e estico dias, Deus me deu esse poder.  Ainda Paris, um café por lá. Ainda. Morar fora do Brasil com os dois homens que a vida me deu.  Sou de verdade. Isso quer dizer: humor flácido às vezes, cara dura, coração esparramado na mesa, cômodos apertados de entrar.  

Trinta e seis de histórias. De rímel borrado. Lennon Guilherme. De ímpar ou par. De mudar e de ideias borbulhando. De melhor enxergar, de apurar, de filtrar apenas o que vale, o que toca, o que edifica. De cartas impublicáveis. De memórias intocadas sobre ser, sentir e viver. Sem caminhos velhos. 




*Imagem: Théo Gosselin
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