Eu demorei a perceber que tudo tem seu tempo. Que existem experiências, coisas e pessoas que florescem no imediatismo, sim. E que existem outras mesmas experiências, coisas e pessoas que precisam repousar. Nas entrelinhas, nas entre portas, nas galáxias sobrepostas aos olhares. Repousar, simplesmente.

Não forço mais inspiração, acontecimentos, vida, encontros, nada. Aprendi a deixar fluir. Lamento apenas ter aprendido depois dos trinta, teria evitado muitos tombos e arranhões tivesse plantado esta verdade antes em meu coração.

Obsceno é perder tempo com o que não nos acrescenta. Essa é a minha firme certeza, atemporal.  Planto em solo fértil agora: trilhas sonoras, bilhetes matinais, diários fotográficos, memórias confidenciais.

A carência faz tempo, não dita as regras por aqui. A maturidade transforma tudo.  Sou essa espera em nuvem: não sei de qualquer um e não quero meus lábios borrados de quem não vale a pena.

Agora eu sei, tudo tem seu tempo.

“Regue a flor que cresce, menina!”, repito à mim, mesma. Todos os dias.



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