Eu não te entendo, menina. É sério. Eu não entendo qual o encanto existe em sobrevoar  territórios alheios, espernear em atmosferas já sintonizadas, por um pouco de atenção que alguém que não te quer. Querer se não é mútuo, não faz bem? Nunca te disseram isso?

Tentar roubar amores alheios não é matéria do colégio e eu aqui do alto dos meus vinte e poucos anos não consigo entender o que faz uma pessoa inventar amor que não existe, reciprocidade que não existe.
Esquece o telefone dele, menina. Apaga da sua agenda, do seu celular, da sua vida. É exatamente por não trata-lo como minha propriedade que ele permanece todos os dias.  Ele não te cede galanteios, olhares e você inventa encontros passionais para se sentir melhor que eu. Tão patético isso.

Você não pode sair por aí correndo atrás de ilusões, de migalhas de pão, de histórias que só a sua memória conhece. Na vida a gente não escolhe. Relacionamento acontece. Quando é imposto, vira fardo. Quando é mentiroso então, vira ofensa.

Eu e ele temos uma história, cheia de primaveras, invernos, cheia de inundações do que é intenso e do que é belo. E por aqui, até as tempestades vão pra mesa, entende? O que eu quero dizer que não é uma briga nossa, um deslize que vai fazê-lo te procurar. Não tem nada jogado às traças na nossa convivência. Somos fortes.

Abre a porta, um cara só teu vai entrar. Quase tudo que é direito começa assim, pela porta da frente. Vai querer ser porta dos fundos? Vai viver de platonismo?

Não tenho rivais. Apenas aquelas que me encontram no espelho do quarto. Só te chamo assim, porque te tratar pelo nome, seria honraria que não merece.

Esquece o telefone dele, menina. Eu não vou te arranhar, eu não vou te puxar o cabelo, mas desde que o mundo é redondo, e ele sempre foi, a gente colhe o que planta.

Conquistar é mais digno. Não tente roubar a vida de ninguém.



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