Eu queria que você soubesse

. 8.8.16 .



Que ao som da nossa música no celular, JB, Youtube, um filme clichê vem à mente. Submergindo memórias inapagáveis, conversas impagáveis naquele boteco da esquina. Eu queria que você soubesse que te sinto. Ainda te sinto todas as manhãs, como em papel cravado, apertado entre o feitiço e a quentura, efeito meu no teu corpo, bruxa boa que fui.

Eu queria que soubesse que retornei aos encontros nos dias de angústia, que lembro para não morrer ao mar, que teimo em procrastinar teus olhos outra vez, por proteção. Eu queria que me soubesse os mesmos jeans que te arrancavam a pele, o mesmo perfume que te trouxe pra perto, a mesma caligrafia, as mesmas viagens, a mesma entrega em sentir.

Eu queria mesmo que soubesse que ainda estou aqui, que ainda estamos juntos, que moramos num daqueles romances de Shakeaspeare, Romeu e Julieta das urgências, já ouviu falar?

Eu queria que você soubesse que ninguém te cala, que ninguém te fala e que só você me olhou bonito como em novela. Eu queria que soubessem que o que vivemos nítido, físico, real. Que deu sentido aos sentidos. Que acordou gigantes, acendeu estrelas.

Eu queria que você soubesse que me atenho ainda às reações aceleradas, pulsantes, profundas. Que me soubesse tua. Mesmo depois do tempo frio, dos ventos fortes, das tempestades.

Eu queria que me soubesse presa em teus olhos, válvula, escape, curva, batida, veneno e cura, bonita, despenteada, espalhada em roupas pelo chão.

Eu queria que me soubesse tua ainda. Nada mais.


*Imagem: Théo Gosselin





Que ao som da nossa música no celular, JB, Youtube, um filme clichê vem à mente. Submergindo memórias inapagáveis, conversas impagáveis naquele boteco da esquina. Eu queria que você soubesse que te sinto. Ainda te sinto todas as manhãs, como em papel cravado, apertado entre o feitiço e a quentura, efeito meu no teu corpo, bruxa boa que fui.

Eu queria que soubesse que retornei aos encontros nos dias de angústia, que lembro para não morrer ao mar, que teimo em procrastinar teus olhos outra vez, por proteção. Eu queria que me soubesse os mesmos jeans que te arrancavam a pele, o mesmo perfume que te trouxe pra perto, a mesma caligrafia, as mesmas viagens, a mesma entrega em sentir.

Eu queria mesmo que soubesse que ainda estou aqui, que ainda estamos juntos, que moramos num daqueles romances de Shakeaspeare, Romeu e Julieta das urgências, já ouviu falar?

Eu queria que você soubesse que ninguém te cala, que ninguém te fala e que só você me olhou bonito como em novela. Eu queria que soubessem que o que vivemos nítido, físico, real. Que deu sentido aos sentidos. Que acordou gigantes, acendeu estrelas.

Eu queria que você soubesse que me atenho ainda às reações aceleradas, pulsantes, profundas. Que me soubesse tua. Mesmo depois do tempo frio, dos ventos fortes, das tempestades.

Eu queria que me soubesse presa em teus olhos, válvula, escape, curva, batida, veneno e cura, bonita, despenteada, espalhada em roupas pelo chão.

Eu queria que me soubesse tua ainda. Nada mais.


*Imagem: Théo Gosselin


2 comentários

  1. Eu queria que você soubesse que ninguém te cala, que ninguém te fala e que só você me olhou bonito como em novela.

    ♥ ♥ ♥ ♥
    que coisa mais linda esse texto Erica ♥

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    Respostas
    1. Minha Flor, feliz que tenha gostado! Obrigada pela visita e por me inspirar!

      <3

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