Eu me lembro do dia em que te vi pela primeira vez, garota. Jeans e blusa branca, olhos brilhantes, corpo perfeito, presença acesa. Você nem me notou, não me olhou, não me sentiu. Mas fui ligeiro em me aproximar, em cumprimentar, em apresentar meus olhos, em te tocar sem as mãos, em registrar meu interesse em tua memória.

Era dia. E depois que você saiu, eu não pensei em outra coisa. Perdi a concentração, a distração. Bastava ausentar meu pensamento e lá estava eu contigo, caminhando em tardes de domingo, assistindo Drew Barrymore e Adam Sandler em “Como Se Fosse A Primeira Vez.” Era a minha primeira vez como menino. Quando te vi deixei de ser homem feito. Tremi alma e corpo.

Pense numa conexão física. Era você. Foi você naquele dia. Eu não sabia pensar. Eu só queria sentir. Nunca me quis tanto dentro de uma mulher. Nunca desejei tanto ser a vítima, o namorado, o bobo apaixonado, o amante, o acompanhante em festas de amigas.

Tinha que ser você dali em diante. A passagem por todas as outras me fez homem pra você, garota.
Estou fascinado pelo que podemos ser. Estou guardando todos os meus medos nos bolsos e dizendo: “Me leva pra dentro de você, para sempre”. Quero morar nos teus cabelos, no teu cheiro, na tua história.

Você é minha e nem sabe.  Mas que teus olhos me perceberam, eu sei que sim.  Sim para todas as tuas marcas e cicatrizes.  Sim para os pequenos detalhes que te compõe: brincos, pouca maquiagem, nenhum batom e perfume doce. Sim para tuas manias que nem conheço. Sim para o que virá depois de tudo.  Vou plantar paciência em cada canto do teu corpo. Vão nascer flores de tempo, sabia?

A minha oração para o universo é: “Obrigado por ter cuidado dela até aqui. Agora é a minha vez”.


*Imagem: Weheartit



Um Comentário

  1. A essência de um grande amor é a irreversibilidade. O cara vai e não volta mais. Aí, ele sonha tudo, ele ousa tudo, ele planeja tudo. Porque perder uma garota dessas é não ter mais nenhuma que satisfaça ou preencha o vazio dela. Valeu!

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