Para Sandra Costa.


Quem tem alma que cabe jamais me interessou. Sou mandala de imprevistos, improváveis. Sou de possíveis. Não sei pisar em ovos. Minha melodia é livre e não cabe num único estilo musical.

Moço, eu tenho asas por dentro, sabe? Já percebeu que vira e mexe, estou voando, na tua frente?

Sou profunda e abrigo armários de mar, prontos para acalmar minha euforia dominical, se preciso. Troco esse carnaval tradicional por livros e dois dedos de vinho quase todo ano.  Minha pele tem pó de estrela e meu cabelo, estações.

Sou fotográfica.

Não troco sono tranquilo por amores desarrumados. Mas confesso, que às vezes, eles são os mais bonitos. Meu vigor anda de havaianas, senta no chão, medita em campo aberto, procura vinis no sábado a noite, acontece na contramão das ondas fortes, avassaladoras.

Sou desassossegada dentro de um vestido preto. Não gosto de brincos maiores do que minhas orelhas e sim, não sei varrer ansiedade para baixo do tapete. Vez por outra permito que a tristeza leve meu sorriso, pra variar a cara lavada de sempre.

Uma casa chamada intuição. É meu coração. Alarga, absorve, expulsa, canta, contém e compõe, me põe em cima e embaixo, que é para relembrar a existência.

Sobre doer nobremente, quem nunca?  

Sou carne e espírito, fiquem sabendo.





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