o nome disso é saudade

26.11.16

Por hoje e por aqui, só insônia e cigarros. Uma vitrola antiga tocando blues. Uma bebida quente, limpando minha garganta de saliva tua.

Por hoje e por aqui, aquela antiga janela bronze que mandei pintar de branco, um papel rabiscado com metade de uma carta e um tanto de amor guardado, resguardado na parte boa de nós.

Por hoje e por aqui, um respirar macho e fêmea, sol e lua extraordinária, aquela mala marrom cheia de cartas minhas, dilaceradas de amor.

Você sabe, eu não gosto de dizer eu te amo. Não acho que faça tanto sentindo quando a pele já transpira essa verdade noite e dia. Eu sei, a minha intensidade é destas que te causam um medo desgraçado.  Que você absorve os meus quase sorrisos ao te enxergar chegar. Que o meu ar de mulher segura te prende as pernas, os braços, os abraços. Seria tão mais fácil se fosse uma relação comum, não é? Sem essa constelação inteira a nossa volta, sem tantos sóis presos aos nossos encontros, sem tantas janelas brancas, sem o meu apartamento e sem sua mala marrom.

Por hoje e por aqui, só insônia e cigarros. Não terminei de escrever a tal carta, tirei o disco de blues da vitrola e achei melhor tocar o silêncio. A lua está clara lá fora, tem um casal lindo na rua de baixo e as folhas caem das árvores em movimentos quase poéticos.

Somos dois mesmo que você não esteja.

Por hoje e por aqui só saudade, insônia e cigarros.





Um comentário:

  1. Erica, amorzito!

    Eu tinha me perdido do teu canto, velho. Me perdi de muita gente, na verdade. E quando eu vejo um blog que ainda se atualiza, fico doidinha. Tanta gente sumiu desse nosso mundo, né?

    Teu texto? Cinema. Tuas letras foram verdadeiras telas pros meus olhos. Que lindo...

    Um beijo meu.

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