5.1.17

tomei coragem




Tomei coragem. Entrei no carro, enfrentei a chuva, o vento e resolvi te procurar. A saudade está latejando faz tempo, sussurrando teu nome, pintando teus olhos no meu espelho. A saudade quebrou teus copos preferidos, queimou tuas roupas, rasgou teus bilhetes. Criou desordem por aqui.

Cansei de brigar com ela. Cansei. Cansei de mudar de faixa para não ouvir nossa música preferida, cansei de evitar aquela rua, aquela rodovia. Cansei desse esforço absurdo para camuflar o teu nome ainda pulsando na minha boca.

Tomei coragem, arranquei minhas roupas, me molhei de sereno e te abracei.

Que orgulho, que nada. O que pulsa aqui é grande e dar um único nome seria injusto. Não é amor, mas também é forte. Desce feito enxurrada na alameda.

Tomei coragem para dizer “Te quero perto”, “Não me deixa sozinha”, “Aquece minhas mãos”. Tomei coragem e me vesti daquela mulher absurda, que só você conheceu.  Tomei coragem e silenciei o mundo, aumentei a voz e repeti teu nome umas cem vezes.

Tomei coragem e foi recíproco: acendi teus olhares, teu carro, tua vida. Era só orgulho o que nos separava, veja só.

Tomei coragem.

Apagamos a chuva, molhamos as luzes, voltamos a ser casal.


*Imagem: Théo Gosselin

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