19.4.17

(te) querer


Porque eu te quero, sou nuvem. Chuva fina que não cessa, roupa colada no corpo, olhos acesos de uma chama além do fogo possível. Sou eu e sou outras. A que toca, eterniza, toca a tarde inteira num disco 92, sem cansar.

Porque eu te quero, todos os poemas são possíveis e todas as casas do quarteirão são minhas. Todas as vistas, todas as janelas e todas as cortinas atendem ao nosso momento, como num espetáculo de estrelas dançantes, pulsantes, reais.

Porque eu te quero, toda a minha espera é bem vinda, é combustível, sede, mão que aperta a cintura e não deixa partir, paparazzi, saídas cercadas, cômodo de eternidades, permanência, loucura e desejo.

Porque eu te quero, Paris é na esquina, sorrisos são convites e lençóis, redes as quais me entrego. Porque eu te quero, poderes inimagináveis, galáxias, mundos, anéis de saturnos triplicados nos meus diários, cartas, rascunhos.

Porque eu te quero, sou madrugada.  Observo enquanto dormes, eternizo enquanto respiras, sou feito pólvora, antídoto, veneno, serpenteio vontades, acordo saudade, trapezista de tuas músicas.

Porque eu te quero, deixei de ser ímpar. Não perco memórias, histórias, guardiã da tua presença, eu sou. Duas. Lua e sol. Mar de estrangeirismos.

Porque eu te quero, deixei de coagular. Cara limpa, olhos fartos de querer. Deixei de economizar pele e gemido.


*Imagem: weheartit

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